quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

o teu mundo grande :


Sim. É isso ... Isso que ouves de mim desse lado. Estou pequena hoje. Fizeste de mim algo inferior. Menos. Sempre menos. Sempre. Logo hoje que me apetecia viver as horas no máximo. Logo hoje que queria esse teu mundo grande que guardas nas mãos. Logo hoje que queria tanto que fosse ontem. Logo hoje. Ouço-te a murmurar. Em eco. Como o Jacob. Estás aí ao longe com vontade de correr ao contrário. Escrevi-te para dizer alguma coisa. Muito mais do que digo todos os dias.

the year of Kwabs :



Love + War out May'15

 ::   it seems a perfect ruin is coming around   ::

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

mudei o coração para as mãos :

Escrevem agora ao som das batidas dele. Como se fossem um relógio de parede. Discreto mas a avançar com a vida de todos. A cada segundo. E este ano a vida correu tanto. Foi tão vida que nem foi vida. 

Todos cresceram atrás de mim. 

Apertei-os contra o peito. Para sentir mais. Afastei o desperdício. Recusei o "sim" sem fundo. Abracei o que não sabia. E fiquei a saber que o desconhecido pode ser o seu nome do meio. Arrisquei. Queimei-me. Chorei. Mas, desta vez, as lágrimas têm outro nome. Foram euforias. Estados de graça. 

Descobri que, às vezes, sou intransigente, para uns. Ou íman, para outros. Descobri que sei recriar. Descobri que posso reinventar os outros. Descobri que os anos não nos afastam, antes nos cruzam. Descobri que o mundo tem os olhos fechados de propósito. Descobri que a bondade pode nascer num banco de jardim. Descobri que a felicidade é um estado tão frágil como uma folha de Outono no chão. Descobri que as sensações são tão sensacionais como isso mesmo. Descobri rostos fechados à chave. Descobri segredos que tinha. Descobri que os dias são quase pessoas que não voltam mais. Descobri que a integridade é mesmo das coisas que precisam de ser íntegras até ao fim. Descobri que há mesmo impossíveis até que se tornem menos impossíveis. 

Mas também descobri que uma palavra provoca a (in)diferença quando dita fora de tempo. Descobri que por mais gentileza que haja, haverá sempre a indelicadeza sentada na mesa do lado. Descobri que as noites mal dormidas são fruto de dias mal acordados. Descobri que todos, mas todos, sorriem com um fa(r)do nas costas. 

Usei a verdade para ser verdadeira. Eles usaram a simplicidade para serem maiores. E juntos fomos uma das coisas mais puras que já alguma vez toquei.  Agradecer o futuro que fizemos desde aquele dia é pouco para o risco que corremos agora: manter o sonho nas nuvens é mais cruel do que imaginá-lo de raiz. 

Cresci à frente deles e quase ninguém viu.  Escrever este texto na primeira pessoa é um sinal disso mesmo. E é tão cruel quanto o resto. A glória demora, mas nunca será inglória.